domingo, 15 de novembro de 2009

´SÉQUESSO´



A pátria adora conversar sobre professores. A pátria, porém, nunca fala sobre educação.


Portugal ainda não arranjou coragem para lidar com este facto: os alunos acabam o secundário sem saber escrever. Parece que os professores vão fazer uma ´marcha da indignação´. Pois muito bem. Eu também vou fazer uma marcha indignada. Vou descer a avenida com a seguinte tarja: ´os alunos portugueses conseguem tirar cursos superiores sem saber escrever´.
A coisa mais básica – deixou de ser relevante na escola portuguesa. De quem é a culpa? Dos professores? Certo. Do Ministério? Certo. Mas os principais culpados são os próprios pais. Mães e pais vivem obcecados com o culto decadente da psicologia infantil. Não se pode repreender o “menino” porque isso é excesso de autoridade, diz o psicólogo. Portanto, o petiz pode ser mal-educado para o professor. Não se pode dizer que o “menino” escreva mal porque isso pode afectar a sua auto-estima. Ou seja, o rapazola pode ser burro, desde que seja feliz. O professor não pode marcar trabalhos de casa porque o “menino” deve ter tempo para brincar. Genial: o “menino” pode ser preguiçoso, desde que jogue na consola. Ora, este tal “menino” não passa de um mostrengo mimado que não respeita professores e colegas.
Mais: este mostrengo nunca reconhece os seus próprios erros; na sua cabeça, ´sexo´ será sempre ´séquesso´. Neste mundo Peter Pan, os erros não existem e as coisas até mudam de nome. O “menino” não escreve mal; o “menino” faz, isso sim, escrita criativa. O “menino” não sabe escrever a palavra ´recensão´, mas é um Eça em potência.
Caro leitor, se quer culpar alguém pelo estado lastimável da educação, então, só tem uma coisa a fazer: olhe-se ao espelho. E, já agora, desmarque a próxima consulta do “menino” no psicólogo.

Henrique Raposo

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Igreja de São Paulo





Igreja de São Paulo – Ribeira Quente- Ilha de São Miguel





A actual igreja de São Paulo, da freguesia de Ribeira Quente é o terceiro templo que com tal evocação foi erguido. O primeiro foi uma ermida construída no ano de 1665 e o segundo foi igualmente uma ermida edificada pouco antes de 1799. Esta última ficava muito perto do mar, pelo que as várias tempestades a arruinaram consideravelmente. O desejo, porém, de uma nova igreja, maior e em sítio mais seguro, apenas se materializou em 1911.
Seis anos levaram os habitantes da Ribeira Quente a construir a sua terceira igreja de São Paulo, porque só nos dias 22 a 24 de Setembro de 1917 se realizaram grandes festas para a bênção da mesma, sob a presidência do Bispo d´Angra, D. Manuel Damasceno da Costa. O Prelado foi da Povoação para a Ribeira Quente, por mar, num barco de pesca. No dia 22 houve missa cantada e crismas, pregando a festa o Pe. António Furtado Mendonça, do Pico da Pedra. No dia 23 houve a ordenação do Pe. Frederico Vieira Fernandes e no dia 24 a missa nova deste com grande pompa.
O retábulo do altar-mor foi oferecido ao lugar, ido do Convento da Graça de Ponta Delgada, cuja igreja se desmantelou com a proclamação da República. Para a mesma igreja da Ribeira Quente vieram também daquele Convento, várias Imagens, que entretanto se danificaram, exceptuando-se a de Nossa Senhora do Leite – escultura de grande devoção naquela localidade.
(informações da autoria do Dr. Carreiro da Costa)